Dormir pelado é muito bom, dizia uma amiga após a lua de mel. Mesmo com anos de namoro, ainda não haviam experimentado dormir completamente nus. – Vamos experimentar, ela sugeriu mordendo suavemente os lábios.
Percebeu que o contato da pele, o roçar dos corpos nus aumentava o desejo entre eles. É uma entrega sem cobranças, sem ficar avaliando o tamanho da barriga do cara, nem a quantidade de celulite da mulher.
É estar juntos, despidos de roupas e preconceitos. É permitir cobrir um ao outro com abraços, com pernas entrelaçadas, com encaixes onde os corpos se complementam, e deixar fluir naturalmente, sem regras ou vergonha de se mostrar por inteiro.
Colocar roupas sensuais para dormir, se produzir para o parceiro é bastante sedutor. Melhor ainda é quando elas são retiradas, e os dois se comunicam com as mãos, com a boca e com os sons que embalam o compasso da relação amorosa.
Quando o frio é intenso e não há calefação, os pijamas parecem que se transformam em armaduras, onde o roçar dos panos cria uma barreira e, o contato fica limitado a partes e não ao todo. Não é a mesma sensação de entrega que se dá em corpos nus.
– Então fica ai uma dica, disse ela sorrindo, – mesmo que vivam juntos há anos, vale a pena mudar, quebrar o paradigma de que a mulher e o homem têm que se cobrir para estimular o desejo.
Não importa quantos quilos a mais tenham, quantas cicatrizes apareceram ao longo da vida, quantos quilos a mais somou ao seu corpo. O que vale é resgatar o calor e a cumplicidade ao se despirem sem pudor. O bom é dormir nus, agarradinhos, como Adão e Eva no paraíso.